A maior caridade que podemos fazer a Doutrina espírita é a sua divulgação

domingo, 9 de março de 2014

Após a Morte


… os espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o espaço, circula ao nosso lado, mistura-se em tudo o que fazemos. Se se viesse a levantar o véu que no-los oculta, vê-los-iamos ao redor de nós, indo ou vindo, seguindo-nos ou nos evitando segundo o grau de simpatia, uns indiferentes, verdadeiros vagabundos do mundo oculto, outros muito ocupados, quer consigo mesmos, quer com os homens, aos quais se ligam com um propósito mais ou menos louvável, segundo as qualidades que os distinguir...
Revista Espírita – Set/ 1859

Com este comentário Kardec nos fornece informações valiosíssimas para nosso conhecimento do mundo espiritual, de onde todos nós viemos e para onde todos nós, mais cedo ou mais tarde, retornaremos.
A situação dos espíritos após deixarem seu corpo físico assemelha-se muito à situação daqueles ainda encarnados na terra. Como já foi dito a natureza não dá saltos, por assim compreende-se que os espíritos desencarnados são parte integrante desta mesma natureza. Seria imprudência e desconhecimento acreditarmos que após o desenlace dos liames da carne o espírito evoluiria aquilo que durante todo o tempo que passou na terra não havia conseguido, é uma questão de bom censo.
Por isso Kardec conclui que encontraremos estes mesmos espíritos, no plano espiritual com os mesmos hábitos, vícios e virtudes, em nada diferenciando do que eram quando encarnados.
Encontram-se envolvidos nos mesmos dilemas, hesitações, impasses e toda a sorte de duvidas que tinham.
O que os diferenciam uns dos outros são os conhecimentos adquiridos no transcorrer das experiências reencarnatórias, quer a nível intelectual, quer a nível moral. Este conhecimento poderá diminuir a confusão a que são submetidos durante o período de perturbação porque passam logo após o desencarne
Há indivíduos no mundo espiritual que nem sequer entenderam o seu estado atual , perambulam entre nós como se ainda a este mundo pertencessem, ocupando-se de suas atividades cotidianas que exerciam antes de sua morte. Buscam ainda o contato com os entes que fizeram parte de seu grupo mais íntimo e estranham por sua vez o pouco caso que fazem de sua presença. Entristecem-se, ficam raivosos, vão a procura de seus desafetos em busca de ressarcimento ou vingança e nestas situações provocam o chamados casos de obsessão, tão bem estudados e explicados pela Doutrina dos Espíritos.
Mas em sua maioria pecam mais pela ignorância que por maldade, ignorância da realidade pós-morte. O fato de não nos prepararmos para o momento da separação é uma das grandes causas deste conflito.

Joel Lorenzoni