A maior caridade que podemos fazer a Doutrina espírita é a sua divulgação

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que Religião?


Para muitas pessoas a religião funciona como uma bengala psicológica onde a ela se apóiam, utilizando-a nos momentos de necessidades extremas depois de terem tentado todos os outros meios disponíveis. Quando não lhe oferece mais utilidade é dispensada em algum canto da casa. É vista como uma ferramenta que somente é lembrada quando da sua necessidade.
Essa conduta faz parte de nosso inconsciente e não só em relação à religiosidade. Que digam os adeptos dos movimentos preventivos de qualquer natureza.
Se usarmos a bengala como analogia veremos que ela se presta muito bem como exemplo, e poderemos compreender a forma como a entendemos.
Ambas são utilizadas por pessoas que buscam “socorro” por não conseguir mais “andar” com suas próprias “pernas”.
O erro nesta comparação é o fato de que no uso da bengala colocamos todo o nosso peso sobre ela esperando que ela nos sustente, independendo de nossa vontade ou de nosso esforço, diferentemente da religião que necessita da nossa interação. Utilizamo-nos da religião achando que bastando fazer cultos exteriores e ritos onde a forma é tudo e o coração em nada participa, seremos agraciados com as benesses pontuais que necessitamos para o momento. Como àquele que vai ao supermercado comprar daquilo que está faltando em sua dispensa.
Cabe a cada um aproveitar os ensinamentos advindos dela para buscar o que se procura. Não como um talismã, mas como um roteiro de vida.
A religião não “salva” ninguém, apenas mostra os caminhos que deveremos seguir para encontrarmos nossa própria “salvação”, assim como a medicina não cura , apenas nos da os caminhos. Quem deve trilhá-los, nos dois casos, é o próprio indivíduo.
A fé não diminui o peso da cruz que cabe a cada um carregar, mas coloca uma almofada entre ela e o ombro. Não como uma forma de conformismo, mas como um meio de preparação àquelas situações negativas que teremos de passar.
Discordo quando Freud diz que a religião é uma ilusão. Talvez a maneira como ela nos foi passada leve muitas pessoas a se auto-iludirem. A religião é um código de princípios de conduta e não um conjunto de formalidades mecânicas.
Precisamos entender a diferença entre idéia religiosa e a religião tradicional. Enquanto a primeira baseia-se na ausência de cerimoniais e protocolos, voltada ao encontro com a divindade, e se utilizando desse encontro para o adiantamento moral do individuo, a segunda é dedicada mais a forma que ao conteúdo, mais a ritualística do que a sua essência. Talvez tenha sido baseado nesta segunda religião que Freud construiu seu comentário.

O que seria uma idéia religiosa? Diferentemente de religião tradicional como a conhecemos deve ser fundada na comunhão de pensamentos, num sentimento mais sublime, isenta de individualismos egóicos. Deverá ser o elo entre o Homem e Deus, seja qual for a sua interpretação de Deus, não baseada apenas em atos e fórmulas, mas sim ligada aos sentimentos vindos do coração.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

LIBERDADE DE EXPRESSÃO


No dia 07 de dezembro de 1953 em Lisboa, Portugal, a polícia invadiu a sede da Federação Espírita Portuguesa, confiscando todos os bens e propriedades, entregando-os à Santa Casa de Misericórdia que, por sua vez, os entregou à Casa Pio de Lisboa, destruindo a fabulosa biblioteca, com um acervo de mais de 12.000 volumes.
Que todos possam observar os duros caminhos trilhados pelos precursores do Espiritismo até chegarmos aos dias atuais onde cada um possa praticar sua fé dentro dos princípios fundamentais da liberdade de crença.
Quantas foram os abusos exercidos em todos os tempos em nome da religião. Quantos deram a vida lutando pelo direito da liberdade de crença, em busca do direito de acreditar naquilo que mais tocasse seu coração, e de propagar esta crença a quem lhe quisesse ouvir.
O autoritarismo sempre foi um péssimo guia para qualquer sociedade, e durante muitos séculos foi a forma de conduta adotada pelos titulares do poder. O trabalho incessante dos militantes espíritas em todos os tempos soube com paciência e perseverança , dentro dos princípios do amor e da benevolência, conquistar o espaço que hoje usufruímos dentro das diversas casas espíritas.
No Auto de Fé de Barcelona, ocorrido em 9 de outubro de 1961 , onde foram queimados 300 livros espíritas , por ordem do Bispo de Barcelona , por serem considerados heréticos , suscitou a que Allan Kardec pronunciasse a célebre frase: “Podem queimar livros, mas não se queimam idéias; as chamas das fogueiras as super excitam, em vez de extingui-las.
Hoje temos o privilégio de declararmos nossa crença sem descriminação e  preconceitos e devemos certamente agradecer aos pioneiros que trilharam os caminhos árduos do reconhecimento. A verdade se sobrepôs ao prejulgamento.

EM QUE MUNDO VIVEMOS?



Nunca em toda história da civilização o homem alcançou tamanho nível de conhecimento tecnológico e cientifico. Nos últimos cem anos inventamos mais coisas do que no resto de toda existência humana.  O conforto que trouxemos para nossos lares fez com que olhássemos para nossos avós e bisavós como verdadeiros seres pré históricos , tamanha a rusticidade de seu modo de vida se comparado aos dias de hoje. Realmente fizemos uma revolução.
Olhando para todo este avanço percebemos que parece haver uma desconexão entre o progresso intelectual e científico em relação ao nosso crescimento ética-moral.
Enquanto desfilamos em carrões de último tipo que só faltam falar (e alguns já falam), nem percebemos o número incontável de pessoas que ainda mendigam o necessário para a sua subsistência. Enquanto compramos equipamentos de alta tecnologia para nossas cozinhas ignoramos aqueles que não têm o que comer.
Será que existe um descompasso entre conhecimento e educação?
Precisamos rever nossos conceitos de prioridades e começarmos a separar o necessário do supérfluo, o importante de dispensável.
O grande Chico Xavier já nos disse que tudo aquilo que sobra em nossas casas não nos pertence.
A palavra supérfluo tem um significado muito variado de pessoa para pessoa. Aquilo que para uns não faz falta nenhuma para outros pode ser o indispensável. Como encontrar o meio termo para a questão? Qual o limite entre um e outro?
Acreditamos que o mundo sofreu grandes avanços em moralidade e consciência, e se ainda nos deparamos com tragédias provocadas pela mente humana é graças aos meios de comunicações mais eficientes e rápidos que sempre preferem virar seus holofotes para o que acontece de negativo ao nosso redor. Muitas coisas boas são feitas em meio ao barulho ensurdecedor dos dramas diários de nossas vidas.

Em que mundo vivemos ? Num mundo que se melhora a cada dia na proporção em que seus habitantes se melhoram. E com certeza estamos melhorando.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nosso objetivo é sermos todos esquisitos

Enquanto todos esperavam, às portas de Jerusalém, o grande salvador do povo Judeu para promover a libertação do jugo romano, fato este previsto por grande número de profetas, eis que surpreendentemente ele chega “pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta” (Zacarias 9:9).
Este fato da vida de Jesus narrado nos evangelhos nos leva a profundas reflexões.
Giovanni di Pietro di Bernardone, que se tornou conhecido para o mundo como São Francisco de Assis, também demonstrou toda sua esquisitice ao abdicar da fortuna paterna, dedicando-se aos pobres e abandonados, transformando sua vida num exemplo de abnegação e desapego. Fez com que Dante Alighieri, poeta italiano, o chamasse de “a grande luz que brilhou sobre o mundo”. Considerado por muitos como a maior figura do cristianismo desde a partida do outro esquisito citado no parágrafo acima.
Hipolite Leon Denizard Rivail, pseudônimo Allan Kardec, educador, escritor e pedagogo francês, conceituado na cidade de Paris do século XVIII, deixa-se impressionar pelos fenômenos das mesas girantes que divertia a alta sociedade francesa e decide investigá-lo a fundo , dedicando-se a fundamentação cientifica , filosófica e moral desta nova revelação.Este trabalho o transforma no  grande codificador da nascente Doutrina dos Espíritos , empreitada esta que o levou a falência e o desvirtuou de uma carreira promissora de literato e educador. Coisa de esquisito.
Século XX , nasce Francisco de Paula Cândido Xavier , um dos mais esquisitos de todos. Seus familiares e amigos diziam que ele tinha por mania dizer que via pessoas que já tinham morrido e que contavam a ele suas histórias, suas tristezas e aflições, e ele as consolava como um pai consola  um filho. Homem extremamente pacífico. Por muitos era chamado de embusteiro e farsante , ao qual não reagia , aceitando as ofensas em silêncio, Esse seu “dom” fez com que se tornasse num dos homens que mais escreveu livros na história da literatura mundial, mais de 400 obras. Morreu pobre afirmando que nenhuma delas era de sua autoria, e por isso recusou-se a receber qualquer valor financeiro a título de direito autoral.
Se refletirmos sobre essas histórias veremos que talvez os caminhos que resolvemos trilhar em nossas vidas não estão nos levando onde realmente deveríamos chegar.
Procurando nos dicionários encontramos como definição de esquisito aquele ser ou atitude fora do comum, singular. Nada define melhor os exemplos citados acima do que estas duas definições.
Enquanto procuramos os caminhos comuns, a vontade de Deus nos impulsiona a trilhar rumos fora do comum, singulares, em uma palavra: Esquisitos.
São os esquisitos que nos dão o exemplo em todas as áreas do conhecimento humano, com relação ao crescimento espiritual não poderia ser diferente. Já nos diz a máxima: Enquanto fizermos as mesmas coisas colheremos sempre os mesmos resultados.

Seja qual for a sua esquisitice, o seu modo de viver, espelhe-se nos grandes esquisitos da história que deixaram uma mensagem inesquecível para a humanidade , siga-os , tente fazer o que eles fizeram e com certeza você também poderá um dia se tornar uma pessoa fora do comum e singular.

Nada acontece por acaso em nossa vida

Tudo aquilo que vivemos tem uma razão muito importante para acontecer. Todos as pessoas que conhecemos  e interagem conosco são elementos necessários para as experiências que teremos que passar em nosso aperfeiçoamento. Da mesma forma, seremos os instrumentos necessários para o seu próprio aperfeiçoamento.
Cada pessoa nos deixará marcas distintas em nossas vidas , de acordo com as afinidades que possuímos com elas . Umas deixarão experiências positivas como o amor, o carinho , a bondade. Outras por sua vez nos ensinarão através de seu mau gênio , egoísmo e frieza. Mas todas sem exceção nos ensinarão algo muito importante: A capacidade de aceitar as diferenças , enfim , a capacidade de perdoar.
Devemos aproveitar estas interações , esta convivência produtiva para tirar as melhores lições e aprender. 
O mundo é uma grande escola e a convivência entre os indivíduos é o grande professor. Cabe a todos buscar dentro de si as  ferramentas necessárias para o aproveitamento destes momentos que nos são concedidos.
Todos somos estudantes desta grande escola chamada terra , cabendo-nos os méritos do bom aproveitamento desta oportunidade ou as dores que decorrerem do mau uso dela. Não se sinta injustiçado pela vida , você esta no lugar certo e no momento certo.
A cada um segundo as suas obras.