Para muitas pessoas a religião funciona como uma
bengala psicológica onde a ela se apóiam, utilizando-a nos momentos de
necessidades extremas depois de terem tentado todos os outros meios disponíveis.
Quando não lhe oferece mais utilidade é dispensada em algum canto da casa. É
vista como uma ferramenta que somente é lembrada quando da sua necessidade.
Essa conduta faz parte de nosso inconsciente e não só
em relação à religiosidade. Que digam os adeptos dos movimentos preventivos de
qualquer natureza.
Se usarmos a bengala como analogia veremos que ela
se presta muito bem como exemplo, e poderemos compreender a forma como a
entendemos.
Ambas são utilizadas por pessoas que buscam “socorro”
por não conseguir mais “andar” com suas próprias “pernas”.
O erro nesta comparação é o fato de que no uso da
bengala colocamos todo o nosso peso sobre ela esperando que ela nos sustente,
independendo de nossa vontade ou de nosso esforço, diferentemente da religião
que necessita da nossa interação. Utilizamo-nos da religião achando que
bastando fazer cultos exteriores e ritos onde a forma é tudo e o coração em
nada participa, seremos agraciados com as benesses pontuais que necessitamos
para o momento. Como àquele que vai ao supermercado comprar daquilo que está
faltando em sua dispensa.
Cabe a cada um aproveitar os ensinamentos advindos
dela para buscar o que se procura. Não como um talismã, mas como um roteiro de vida.
A religião não “salva” ninguém, apenas mostra os
caminhos que deveremos seguir para encontrarmos nossa própria “salvação”, assim
como a medicina não cura , apenas nos da os caminhos. Quem deve trilhá-los, nos
dois casos, é o próprio indivíduo.
A fé não diminui o peso da cruz que cabe a cada um carregar,
mas coloca uma almofada entre ela e o ombro. Não como uma forma de conformismo,
mas como um meio de preparação àquelas situações negativas que teremos de
passar.
Discordo quando Freud diz que a religião é uma
ilusão. Talvez a maneira como ela nos foi passada leve muitas pessoas a se
auto-iludirem. A religião é um código de princípios de conduta e não um
conjunto de formalidades mecânicas.
Precisamos entender a diferença entre idéia
religiosa e a religião tradicional. Enquanto a primeira baseia-se na ausência
de cerimoniais e protocolos, voltada ao encontro com a divindade, e se
utilizando desse encontro para o adiantamento moral do individuo, a segunda é
dedicada mais a forma que ao conteúdo, mais a ritualística do que a sua essência.
Talvez tenha sido baseado nesta segunda religião que Freud construiu seu
comentário.
O que seria uma idéia religiosa? Diferentemente de
religião tradicional como a conhecemos deve ser fundada na comunhão de pensamentos,
num sentimento mais sublime, isenta de individualismos egóicos. Deverá ser o elo
entre o Homem e Deus, seja qual for a sua interpretação de Deus, não baseada apenas
em atos e fórmulas, mas sim ligada aos sentimentos vindos do coração.