Sempre que sobra um tempinho dou uma fugida a um café aqui em frente para fazer um lanche. Dia desses me deparei com um grupo de jovens (nunca imaginei que um dia iria chamar alguém de jovem, o tempo é cruel), uns cinco ou seis, conversando sobre mudar o mundo. Enquanto tomava meu café ouvia o papo e fazia também minhas reflexões sobre o assunto. Todos, em alguma época da vida, tivemos o pensamento de mudar o mundo , como se fosse uma obrigação humana , uma questão de honra. Descobri com o tempo que realmente temos a obrigação de pelo menos pensar em mudar o mundo. Afinal qual seria o objetivo de estarmos nele se não participarmos de sua mudança. É o erro de foco, que perturba muitas pessoas, e que frustra a maioria delas. Acreditar que devemos promover mudanças em nível mundial, pensar que teremos que deixar nossa marca e que esta deverá ser grandiosa é muito frustrante. Não existe tanta rua para colocar tanto nome, nem tantas praças para erguer tantas estátuas. As mudanças são necessárias, mas devemos saber dimensioná-las dentro da nossa vida. Vou dizer algo que talvez desagrade a você: 99,99% das pessoas do planeta não lhe conhecem e continuarão sem lhe conhecer mesmo depois de você morrer, a menos é lógico se acontecer de você fazer uma besteira muito grande ou um ato muito honroso, uma descoberta fantástica, a cura de uma doença ou colocar um vídeo no youtube que vire febre mundial por alguns anos, o que estatisticamente será bem improvável. Então na verdade o que importa são as 0,01% das pessoas que lhe conhecem , que convivem com você , que dividem os espaços próximos a você . O restante não fará muita diferença em sua vida. O que vale a pena é a mudança do mundo destas pessoas que lhe rodeiam , que são importantes pra você. Talvez o segredo seja mudar o mundo que existe dentro de nós. Leon Tolstoi disse um dia , com propriedade , que todos querem mudar o mundo, mas ninguém quer mudar a si mesmo. A mudança deve começar por aí. Olharmos para nós mesmos, identificar nossas falhas e perceber a quem elas estão afetando. Certamente serão as pessoas mais próximas, as mais importantes, que sentirão os reflexos desta mudança. É o mundo delas que devemos mudar. O mundo não se muda com uma única grande ação, mas com muitas pequenas ações durante toda uma vida. Ouçamos Ghandi que nos diz que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. É complicado . . . Tem horas que parece ser mais fácil mudar o mundo. . .
As pessoas sempre acham que os errados são os outros. Admitir que os errados somos nós é o primeiro passo para a grande mudança que podemos promover!
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