… os espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o
espaço, circula ao nosso lado, mistura-se em tudo o que fazemos. Se se viesse a
levantar o véu que no-los oculta, vê-los-iamos ao redor de nós, indo ou vindo,
seguindo-nos ou nos evitando segundo o grau de simpatia, uns indiferentes,
verdadeiros vagabundos do mundo oculto, outros muito ocupados, quer consigo mesmos,
quer com os homens, aos quais se ligam com um propósito mais ou menos louvável,
segundo as qualidades que os distinguir...
Revista Espírita – Set/ 1859
Com
este comentário Kardec nos fornece informações valiosíssimas para nosso
conhecimento do mundo espiritual, de onde todos nós viemos e para onde todos nós,
mais cedo ou mais tarde, retornaremos.
A
situação dos espíritos após deixarem seu corpo físico assemelha-se muito à situação
daqueles ainda encarnados na terra. Como já foi dito a natureza não dá saltos, por
assim compreende-se que os espíritos desencarnados são parte integrante desta
mesma natureza. Seria imprudência e desconhecimento acreditarmos que após o
desenlace dos liames da carne o espírito evoluiria aquilo que durante todo o tempo
que passou na terra não havia conseguido, é uma questão de bom censo.
Por
isso Kardec conclui que encontraremos estes mesmos espíritos, no plano
espiritual com os mesmos hábitos, vícios e virtudes, em nada diferenciando do
que eram quando encarnados.
Encontram-se
envolvidos nos mesmos dilemas, hesitações, impasses e toda a sorte de duvidas
que tinham.
O
que os diferenciam uns dos outros são os conhecimentos adquiridos no transcorrer
das experiências reencarnatórias, quer a nível intelectual, quer a nível moral.
Este conhecimento poderá diminuir a confusão a que são submetidos durante o período
de perturbação porque passam logo após o desencarne
Há
indivíduos no mundo espiritual que nem sequer entenderam o seu estado atual , perambulam
entre nós como se ainda a este mundo pertencessem, ocupando-se de suas
atividades cotidianas que exerciam antes de sua morte. Buscam ainda o contato
com os entes que fizeram parte de seu grupo mais íntimo e estranham por sua vez
o pouco caso que fazem de sua presença. Entristecem-se, ficam raivosos, vão a
procura de seus desafetos em busca de ressarcimento ou vingança e nestas situações
provocam o chamados casos de obsessão, tão bem estudados e explicados pela
Doutrina dos Espíritos.
Mas
em sua maioria pecam mais pela ignorância que por maldade, ignorância da
realidade pós-morte. O fato de não nos prepararmos para o momento da separação
é uma das grandes causas deste conflito.
Joel Lorenzoni

Minha dúvida é: as pessoas que aqui na terra tiveram oportunidade de aprender sobre esses fatos, no outro plano terão maior conhecimento sobre o que estão passando? Terão condições de fazer a diferença da situação em que se encontram no momento?
ResponderExcluirCom certeza . se compreenderam esses ensinamentos , terão mais facilidades quando desencarnarem , e não necessariamente precisam ser espíritas. Mas é logico que a nível de angustia ou desespero, a saudade e o medo neste momento depende da evolução e o desapego de cada um, assim como eu posso ter aprendido tudo sobre paraquedismo , mas isto não impedirá que eu sinta medo e angustia em meu primeiro salto.
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